Tênis - Se você já utiliza tênis há
muito tempo e nunca teve problemas, em uma caminhada longa provavelmente é o
calçado que seu pé irá aceitar melhor. Procurar utilizar tênis com amortecedores,
dando mais conforto aos pés e à coluna. Não vá fazer uma caminhada longa com um
tênis novo. É necessário que o mesmo tenha sido “amaciado” com uso, se
adequando ao formato do seu pé.
Se a caminhada for em trilhas
irregulares, opte por um tênis com solado próprio que evita derrapagem.
Vantagens – 1.
Possuem os melhores amortecimentos 2. São
leves 3. Muito confortáveis
para ambientes planos.
Desvantagens - 1.
Pouca segurança em ambientes escorregadios; 2.
Pouca segurança para os tornozelos;
Botas – Muita gente não consegue se
adaptar ao uso de botas. Por isto, antes de comprar (já que são mais caras),
experimente usar de amigos ou em último caso, ande bastante com elas na loja
onde for comprar. Procure sentir se está confortável usando as botas. As
melhores são mais leves, possuem o interior mais macio e
normalmente impermeáveis. Eu particularmente me sinto bem seguro quando
estou com botas mas, dependendo da situação uso tênis.
Vantagens - 1.
Segurança para os tornozelos 2.
Melhores para trilhas irregulares 3. Mais segurança em ambientes
escorregadios;
Desvantagens - 2.
Mais pesadas 2.
Mais caras;
Papetes – Tem muita gente optando pelo
uso da papete. Estão ficando mais confortáveis e são normalmente mais arejadas,
já que são na verdade sandálias. A minha esposa por exemplo,
em caminhadas longas só usa papetes com meias.
Vantagens – 1.
Baixo custo 2. Mais
arejadas 3. Mais confortáveis quando usadas com meias;
Desvantagens - 1.
Pouca segurança para os tornozelos 2. ainda
não possuem amortecimento;
Conclusão – Na verdade para cada situação
existe um calçado que melhor se adequa. No final é
preciso usar bom senso na hora de escolher o calçado que irá usar na sua
caminhada. Por exemplo, se for fazer uma caminhada longa onde a grande parte do
trecho é em estradas planas, é melhor optar pelos tênis ou papete. Se a
predominância são trilhas irregulares, mato onde não se vê onde pisa, é melhor
a bota. Em trilhas de barro com lama também a bota leva vantagens. No meu caso,
sempre utilizo a bota porque estou muito acostumado e me sinto confortável com
elas. O ideal seria carregar os dois tipos de calçados, mas em caminhadas
longas quando você tem que carregar sua mochila, precisa economizar no peso, não
dá para ter este luxo. Portanto, é importante planejar (condições da trilha,
meteorologia, etc.) sua caminhada para poder decidir qual o tipo de calçado
utilizar.
Também depende da situação. Se não estiver chovendo mas o terreno estiver molhado (com poças d´água) é muito bom estar usando um calçado impemeável.
Agora se estiver debaixo de uma chuva, o calçado impermeável
é bom, desde que esteja usando um anoraque e uma calça impermeável (ou uma capa
bem comprida).
Caso contrário, a chuva descerá pela perna e a água entrará
pelo cano do calçado encharcando os pés (
Também é bom avaliar a condição de temperatura. Se o tempo
estiver frio, tudo bem. Se o tempo não estiver frio, a movimentação do
andarilho dentro de uma roupa impermeável faz suar
Conclusão – Para pequenos deslocamentos na
chuva um calçado impermeável dá um conforto tremendo. Mas, em situação de
caminhadas longas, não importa muito porque de qualquer forma seus pés molharão
(seja por suor, seja por chuva). A vantagem de estar usando um calçado impermeável
é que seus pés e suas meias não ficarão sujos de lama.
Use sempre mochilas com barrigueiras bem acolchoadas. É a
barrigueira que garante a transferência de grande parte do peso da mochila para
a cintura, livrando os ombros. Melhor ainda quando a mochila possui uma barra
metálica vertical que melhora muito na transferência do peso para a cintura. Verifique
também se a mochila possui ajuste na barrigueira e nas tiras dos ombros.
É importante também, no apoio das costas, um material
acolchoado que permita um melhor conforto e circulação do ar. O ideal mesmo,
seria a mochila não encostar nas costas deixando
ventilação entre a mochila e as costas. Atendendo a esta característica, só
conheço algumas mochilas militares.
Em caso de chuva, é bom ter uma capa para a mochila par
evitar que entre água. Já tive problemas de molhar as roupas mesmo com mochilas
impermeáveis. Para garantir que suas roupas dentro da mochila não venham a
molhar, sempre coloque as roupas dentro de sacos plásticos
pois acreditem, já tive minhas roupas molhadas mesmo sem chuva. Simplesmente
o suor do meu corpo penetrou pela mochila e molhou as roupas.
Um calo em caminhada, é um
problema. O calo é resultado do atrito de partes do pé no calçado ou nas meias, ou até
no próprio pé. Pode ser resultado de um calçado ainda não amaciado, ou
apertado, ou frouxo demais, ou o contato com a costura da meia. Pode ser
agravado em situações de muita temperatura nos pés, ou pés molhados. No início
eu usava vaselina nos pés que diminui o atrito no pé ajudando a evitar o calo. Também
já usei muito uma meia fina por baixo de uma meia
grossa. Tudo isso ajuda e prevenir o calo. Hoje, meus pés já estão bastante
adaptados e não preciso mais destes artifícios.
Ao comprar a meia, veja a costura e escolha aquelas que
não possuem costura. Se durante a caminhada sentir qualquer ardência, ou calor ou
coçar alguma parte dos pés, pare, tire o calçado, as meias e verifique o que
está acontecendo. Não deixe o quadro evoluir pois irá
se transformar em um calo.
Agora, você tomou todas as providencias
e mesmo assim o calo apareceu não se desespere. Pegue uma agulha, passe uma
linha por ela, esterilize (com um fogo de um fósforo) e passe a agulha furando
o calo de um lado a outro (somente na pele, sem tocar na carne), deixando a
linha para drenar o calo. Coloque uma proteção (band-aid
ou esparadrapo, desde que com uma gaze para que o esparadrapo não grude no
calo).
Quando chegar ao destino, avalie o calo, se for o caso,
repita a operação. A tendência é de o calo secar. Caso isto não aconteça e o
local esteja piorando, vá a um médico para avaliação.
Abaixo algumas dicas de andarilhos:
“Antes de começar qualquer
caminhada, nos locais onde dão bolhas, colocar
esparadrapo (não micropórus, nem aquele fino), mas
esparadrapo à la antiga, aquele grosso. Coloque meia
de coll max e .... boa
caminhada sem bolhas”. (Dica da Lourdes, de São Paulo).
“Com
a meia/calçado e o pé úmido pelo suor facilita a formação de bolhas.
Se v. costuma ter bolhas no calcanhar, provavelmente é porque o pé não está
firme no calçado e faz movimentos de sobe e desce quando v. anda, raspando na
parte traseira da bota.
Caso v. já não faça, V. pode experimentar calçar dois pares de meias (uma
grossa de coolmax e uma mais fina de algodão por
baixo, como grande parte dos caminhantes fazem) e firmar mais a bota (mas não
apertar demais a ponto de prejudicar a circulação do sangue na perna.) E vale
também a recomendação de tirar a bota e secar o pé, de quando
Outra dica valiosa: existem
agora no mercado brasileiro, várias palmilhas de silicone: para toda a planta
do pé, para os dedos, para o calcanhar, etc... que são ótimas para amortecer o impacto e poupar os pés. São
encontradas em casas de produtos ortopédicos. Se v. tiver o pé sensível como o
meu, vai ADORAR!.” (Dica da Júlia)
Em caminhadas longas normalmente se anda durante o dia, em
um rítmo constante de forma que Eu e a Mara não
costumamos almoçar. Isto vai quebrar nosso ritmo e após um almoço fica-se meio
sonolento. Procuramos nos alimentar de três em três horas comendo pouco
procurando repor alguma das calorias perdidas. Normalmente levamos frutas (não
muitas, em função do peso) porque contém bastante água e ajudam a hidratar. Também
ajuda levar frutas secas, chocolate, barras de cereais
que são leves. Não espere ficar com fome, procurando comer em intervalos
regulares.
Em relação à sede, também procure beber goles de água em
intervalos regulares, não esperando a sede aparecer. Para não beber mais água
que o necessário, Eu costumo encher a boca e depois ir engolindo aos poucos (de
30 em 30 minutos), com isso, controlo as doses de água. Esta estratégia ajuda quando
a sede aperta pois nossa tendência é beber até saciar
totalmente a sede. Se fizer isto, pode acontecer de logo ficar sem água. Por
isto a importância na dosagem.
Procure aproveitar estas paradas para alongar os músculos.
Não pare por muito tempo, 10 minutos são suficientes.
Em caminhos sinalizados normalmente informam quando a água
é potável. Quando isto não é informado, sempre é bom ter cuidado com a água. Existe no mercado umas pílulas de cloro que colocadas em um
litro d´água, durante o prazo de 30 minutos tornam
potável muitos tipos de água encontrada na natureza.
Normalmente vem um cartela com 30
pílulas, com as instruções de uso. Eu normalmente carrego na mochila uma dessas
cartelas.
Mochila com presilhas no
peito e quadris, contendo:
2 mudas
de roupas além da que está no corpo (leve e de fácil secagem);
capa de chuva que cubra também a mochila;
chinelo;
material de higiene pessoal (sabonete; creme, escova e fio dental; papel
higiênico, etc.);
primeiros socorros (esparadrapo, pomada contra assadura, anti-séptico, etc);
canivete;
toalha (de preferência tipo fralda de pano)
agulha e linha (para drenar bolhas que possam se formar nos pés)
Cajado:
serve de apoio e defesa contra animais hostis. Poderá ser adquirido nos locais
de credenciamento.
Calçado:
já adaptado aos pés, resistente e macio.
Chapéu:
de pano com abas, tipo pescador.
Água:
levar apenas o que for consumir em cada trecho.
Protetor
solar e repelente contra insetos.
Com menos
de 6kg., incluso o peso da mochila, é possível levar
tudo o que o peregrino necessita.
Obs.: De qualquer forma, cada caminho é diferente. Existem
alguns que não é necessário levar toalhas (pois os albergues fornecem,
como o caminho da fé), em outros, alem da toalha deve-se levar isolante para
dormir e saco de dormir. Portanto, procure planejar e conhecer bem cada
caminhada para não levar peso desnecessário. Procure não deixar que o peso da
mochila não ultrapasse 10% do seu peso.