Peregrinação pela Europa
Santiago de Compostela
(29/05/2006)
Terminamos o caminho de Compostela no dia 28/05/2006.
Ainda neste dia, fomos à estação ferroviária para obter informações a respeito do
uso do passe de trem (Eurailpass). Este tipo de passe deve ser adquirido no
país de origem do viajante. Existem diversos tipos de passes. Nós optamos pelo
passe de uso consecutivo (mais vantajoso no nosso caso, que estaríamos em
trânsito todos os dias). 21 dias consecutivos.
Na Estação, nos informaram que poderíamos validar o passe
(carimbo com a data do primeiro uso) no dia da viagem. No nosso caso, no dia
seguinte (29/05/2006). A partir deste dia, durante 21 dias consecutivos
poderíamos utilizar (de graça) qualquer trem regional em 18 países cobertos
pelo passe. Assim, a validade do nosso passe, terminaria em 18/06/2006.
Durante a viagem, coletei dados para uma avaliação
posterior se é mais vantagem comprar os bilhetes na hora da viagem ou comprar
um passe deste tipo. A tabulação destes dados está no final deste relato.
No dia 29/05 às 15:00 fomos para a estação de trens da
cidade de Santiago de Compostela. Nosso plano era viajar durante a noite e
chegar a Lisboa no dia seguinte. Nosso trajeto seria:
Compostela – Vigo – Porto – Lisboa.
Vigo
(29/05/2006)
Havia horários mais cedo para Vigo, mas no nosso caso
teríamos que tomar o trem das 16:30, pois neste horário havia um trem regional.
Se utilizássemos outro horário (trem mais veloz) teríamos que pagar diferença.
Usando trem regional, viajaríamos sem pagar nada. Às 16:30 saímos em direção a
Vigo (Na Europa os trens são pontuais). Às 18:14 chegamos a Vigo, uma cidade
litorânea com paisagens muito bonitas. O trem desliza um longo período por
regiões beira-mar. De Vigo, saiu a última regata onde os barcos fazem a volta
ao mundo. De Santiago até Vigo, atravessamos os
seguintes povoados: Padron,
Puentecesures,
Villagarcia de Arosa, Arcade , Redondela Picota, Redondela de Galicia.
Às 19:08 saiu um trem (português) de Vigo com destino a
Porto. Nós embarcamos nele. Antes, na estação, compramos alguns sanduíches para
comer no trem. Este trem, com mesma velocidade do trem espanhol, mas com menor
conforto. Neste Trem (comboio para os portugueses), cruzamos belíssimas regiões
vinícolas. Atravessamos várias cidades, entre colinas e planícies. No topo de
algumas colinas, castelos, fortes e mosteiros centenários. Neste trem atravessamos os seguintes povoados: Redondela de Galicia, Porrino, Tuy Garaje Lazara, Valenca, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Ancora-Praia, Viana do Castelo, Barcelos, Nine, Famalicao, Trofa e Ermesinde. Chegamos em Porto às 21:00.
Porto (29
– 30/05/2006)
Em Porto, fizemos um lanche nas redondezas da Estação.
Ficamos aguardando a saída de um trem inter-regional para Lisboa. Partimos às
00:40 em um trem sem nenhum conforto. As pessoas ao entra no trem, já iam
ocupando três cadeiras para dormir. Procuramos por cadeiras vazias em vários
vagões. Até que encontramos cadeiras duplas. Não poderíamos dormir, pois a
posição das cadeiras não permite. Teríamos uma longa noite, já que o trem
chegaria às 05:57
Lisboa
(30/05/2006 a 01/06/2006) (Fátima e Coimbra)
Na estação Oriente, nenhuma cafeteria aberta. Esperamos
abrir o metrô e o comércio para ir até o Albergue da juventude. Tomamos café e
assim que o metrô começou a operar, fomos procurar o albergue. Um albergue
muito bom, diga-se de passagem. Faríamos dois pernoites neste albergue.
Deixamos as mochilas no albergue e entramos novamente no metrô, em direção à
estação de ônibus. Chegando lá, compramos passagens para Fátima. Passamos o dia
No fim do dia, tomamos o ônibus de volta para Lisboa. Via
Metrô chegamos ao albergue para dormir a primeira noite. Dormimos em quartos
separados. O albergue possui quartos femininos e masculinos.
Albergue da Juventude de Lisboa –
Centro - R. Andrade Corvo, 46 1050-009 - Lisboa
Tel: 21 353 26 96 Fax: 21 353 75
41) E-mail: lisboa@movijovem.pt
Para localizar informações de
albergues em Portugal, clique no endereço ao lado: http://www.pousadasjuventude.pt/
No dia seguinte fomos de trem até Coimbra. Retornamos para Lisboa às
15:00. Ainda fomos até o Zoológico de Lisboa neste dia. Depois, entramos na
rede de metrô e retornamos para o albergue. No dia seguinte, montamos as
mochilas, deixamos o albergue e fomos de metrô para a estação Oriente. De lá,
fomos a pé até o Parque das Nações. Lá visitamos o Oceanário de Lisboa.
Passamos o dia na rua, enquanto nossas mochilas ficavam em uma guarda-malas na
estação. Às 22:10 pegamos o trem com destino à Madrid. Mais uma noite sem
dormir, embora estivéssemos viajando de primeira classe. Chegamos a Madrid às
08:49.
Madrid
(02/06/2006)
Nosso plano era prosseguir ainda neste dia para Barcelona.
Lá faríamos a reserva de navio para o dia seguinte. Os trens para Barcelona, partem
da estação Atocha. Estávamos na estação Chamartin. Usando os passes, fomos de
trem urbano até Atocha. Chegando lá, entramos em uma fila para reservar lugares
para Barcelona. Mas não havia mais vagas para aquele dia. Decidimos então fazer
reservas para o dia seguinte (neste caso, mesmo com passe, é preciso pagar a
diferença).
Via metrô, fomos procurar o albergue que havia na nossa
lista. Lá chegando não conseguimos vaga. Felizmente, no mesmo prédio havia um
outro albergue no qual conseguimos vaga por uma noite. As informações do
albergue estão nos últimos dias do relato.
Barcelona
(03/06/2006)
No dia seguinte, fomos de metrô até a estação Atocha pegar
o trem para Barcelona. Neste caso, trem Altária classificado como alta
velocidade. Mas não achamos vantagem nisto. Este trem alcança
Logo chegamos à região de “Las Ramblas”, a mais badalada
de Barcelona. Muita movimentação de jovens, turistas, comércio e vida noturna.
Mas também, muitos assaltos, trombadinhas, e abutres a espera de vítimas. Há de
se andar com cuidado naquela região. Bom, daquele local fomo a pé até o
terminal marítimo (uns
Maiores informações, entre no site da Grimaldi para
horários, destinos e preços. http://www.grimaldi-ferries.com/
Navio
(Barcelona – Civitavecchia) (03/06/2006 e 04/06/2006)
No terminal da Grimaldi uma confusão para reserva de passagens
no navio. Três filas. Não se sabia qual delas era para veículos ou passageiros.
Entrei em uma fila e Mara
Subimos a bordo, com nossas mochilas nas costas. Aqui
começamos a sentir a discriminação. Fizeram-nos esperar por mais de uma hora,
dizendo que iam verificar autorização para entrarmos na Itália.
Cansamos de esperar e fomos conhecer o navio. Mochilas
sempre nas costas, fomos ao deck. De lá vimos o navio deixar Barcelona. Fomos
para a sala de butacas (poltronas) onde passaríamos a noite. Ainda não tinham
devolvido os papéis. Encontramos alguns indianos e um canadense na mesma
situação. O canadense, mochileiro como nós. Os indianos, com malas. Conversando
em inglês, os indianos informaram que quando eles não devolviam os papéis foi
porque não houve autorização. Neste caso, não deixam desembarcar. Os indianos
estavam simplesmente apavorados. Havia muitos deles pelas ruas da Europa, em
atividades de subemprego. Eu e Mara, um pouco preocupados em função do que
vivenciamos no passado para entrar em Israel, decidimos relaxar e aproveitar a
viagem.
Na sala de poltronas, muitas delas quebradas. O
atendimento da tripulação do navio para
Como eles nunca explicavam onde estavam os papéis, teve
uma hora que a Mara “rodou a baiana” e exigiu o papel. Quando cheguei à
recepção, os atendentes estavam apavorados procurando os papéis (que
provavelmente tinham perdido). Notando o desespero deles, eu conversei
Depois expliquei para os indianos não se preocuparem. Não
adiantou muito, pois eles pareciam que estavam sendo perseguidos.
Para dormir em poltronas, é muito desconfortável, de forma
que Eu e Mara abrimos nosso isolante e sacos de dormir e montamos nossa cama no
chão, entre as poltronas. E assim, dormimos tranquilamente. Durante a noite, em
conversa com os indianos, falamos da nossa peregrinação a pé. Não entendiam
porque eu tinha férias tão longas. Falei que estava aposentado. Perguntaram
nossa idade. Falei que tenho 51 e Mara 48. Eles não acreditaram, chamaram
vários amigos para falar de nós.
O resto da viagem transcorreu normalmente. Tínhamos acesso
a todas as áreas do navio, como qualquer outro hóspede. Deixamos nossas
mochilas na sala de poltronas (carregando conosco, documentos e valores,
claro).
Civitavecchia
(04/06/2006)
E assim, chegamos no dia seguinte a Civitavecchia, na
Itália. Do porto, fomos a pé até a estação de trens. Pegamos um trem regional
para Roma. Passamos pelos seguintes povoados: Livorno Centrale, Rosignano, Cecina, S.Vincenzo, Campiglia Marittima, Follonica, Montepescali, Grosseto, Albinia, Orbetello-Monte Arg. , Capalbio, Montalto di Castro, Tarquinia, Civitavecchia, S.Marinella, Marina di Cerveteri, Cerveteri-Ladispoli, Roma S. Pietro, Roma Trastevere, Roma Ostiense, Roma Termini.
Roma
(04/06/2006 e 05/06/2006)
Ficamos na Estação Roma-Términi. Como estava anoitecendo,
resolvemos passar a noite
Ainda tivemos tempo de entrar na rede de metrô de Roma,
para visitar a Basílica de São Paulo (fora dos muros). Era domingo, mas
infelizmente a Basílica estava fechada. Passeamos um pouco pela região, depois
retornamos à região do nosso hotel. Embora a região não seja agradável (escura,
pessoas estranhas, ruas vazias), passeamos à noite, tomamos sorvete e comemos
pizza. Em Roma, tudo é muito caro.
No outro dia, cedo, fomos para a estação Términi. Veríamos
quais trens trafegariam até Ancona. Na Estação de Roma (aliás, na Itália em
geral, é muito difícil obter informações). Faziam o possível, para que pagássemos
pelas viagens (mesmo apresentando o passe). Assim, na bilheteria, o vendedor me
informou que teria que pagar uma diferença para viajar para Ancona. Pois o trem
era especial e exigia reservas de poltronas. Como não consegui informações de
horários dos trens regionais, acabei pagando a reserva. Nesta viagem atravessamos os seguintes povoados: Orte, Terni, Spoleto, Foligno, Fossato di Vico-Gub. , Fabriano, Genga Terme, Jesi, Falconara Marittima, Ancona.
Ancona
(05/06/2006)
Chegamos à estação de Ancona e logo fomos buscar
informações sobre a localização da estação marítima. Todos nos informavam que deveríamos
pegar um Táxi ou um ônibus que fazia ponto em frente à estação de trem. No
ponto de ônibus, nos surpreendemos que os motoristas de ônibus conseguem se
comunicar
Navio
(Ancona – Patras) (05/06/2006 e 06/06/2006)
Um navio (ferry) estava para sair em 1 hora. Usando os
passes, pagamos uma diferença e fizemos reserva na sala de poltronas. É
impressionante a capacidade de carga de um ferry. Contei enquanto descarregavam
um deles e até o nosso navio partir, já tinham desembarcado 40 caminhões
cegonha (sem contar inúmeros carros pequenos e traillers). Logo estávamos navegando
no mar Adriático. A água de tonalidade esverdeada próximo ao litoral. Do navio
se avistava uma linha bem definida, a partir da qual a água tomava uma
tonalidade azul-escura. Realmente, estávamos realizando um sonho antigo. A
paisagem que se descortinava à nossa frente era digna de um sonho.
Para informações de travessias para a Grécia, veja o link
ao lado: http://www.allgreekferries.com/index.html
Assim como nossa navegação no mar Mediterrâneo, na sala de
poltronas, armamos nossa cama no chão, entre as poltronas. Nenhum contratempo
nesta viagem. Vivemos cada segundo desta belíssima viagem.
Patras –
Atenas (06/06/2006)
No dia seguinte, 11:30 estávamos chegando
Para achar locais para pernoite (albergues) na Grécia
clique no endereço ao lado: http://www.hihostels.com/
Ficamos hospedados no albergue Atenas International, 16
Viktoros Hugo Str.
Atenas (06/06/2006 a 09/06/2006)
Dormimos três noites
Em um dia, visitamos os monumentos históricos
Em outro dia, fizemos um cruzeiro por três ilhas gregas: Poros, Hydra e
Aegina.
Aqui cabe um comentário e uma reclamação: Quando falamos
que desejávamos conhecer algumas ilhas, o hospitaleiro do albergue (um
brasileiro, diga-se de passagem) nos ofereceu um pacote. Disse que trabalhava
com aquela empresa. A oferta era um dia em um navio, passeando pelo mar com
paradas para visitas nas três ilhas. No folder, informava das atividades a
bordo e dos pontos históricos e turísticos nas ilhas. O preço, 90,00 euros por
pessoa. No folder a fotografia de um navio fantástico.
Sendo o hospitaleiro um brasileiro, lidando com
mochileiros confiamos que esta seria a melhor opção para conhecer as ilhas.
Entusiasmados compramos o pacote. No dia seguinte, fomos cedo aguardar o ônibus
que nos levaria até o porto. Detalhe: Tivemos que ir a pé, até a porta de um
hotel, pois o ônibus não pegava turistas na porta do albergue. Com uma hora de
atraso, o ônibus chegou. Ficou circulando pela cidade mais 40 minutos,
recolhendo outros passageiros. Tinha até pessoas
Em cima, no deck tomando um sol de meio-dia (o barco saiu
quase meio dia, pois a metade do cruzeiro passamos no ônibus) com muito vento
ou no fundo do barco com um calor infernal.
E veio a segunda decepção: Os guias informavam que para
visitar os pontos turísticos na ilha de Aegina, teríamos que pagar um subpacote.
Quem pagasse, teria um ônibus na ilha, para levar até os pontos históricos.
Quem não pagasse, ficaria no centro comercial comprando bugigangas. Achamos
muito descaramento e resolvemos ficar andando pela ilha.
As ilhas, realmente muito bonitas. Mas o pacote, uma
enganação sem-vergonha. Quando chegamos ao albergue, naquele dia e no dia
seguinte, o alberguista não teve coragem de olhar para nós e perguntar como
foi. Se você for até lá tome cuidado.
Durante o cruzeiro, descobrimos que poderíamos ter feito o
pacote de forma muito mais barata. E mais emocionante. Quer saber? Primeiro:
Para chegar à zona portuária dava para ir de metrô. 2 Euros ida/volta por
pessoa. Entre as ilhas mais próximas, existem lanchas de alta velocidade que
fazem o trajeto várias vezes por dia. De
De qualquer forma, independente dos erros e acertos,
tivemos uma estadia maravilhosa na Grécia. Havendo oportunidade, lá retornaremos.
No plano original, de Atenas seguiríamos de trem para
Tessalônica e depois entraríamos na Bulgária, para pernoitar
Korinto –
Patras – Ancona (09/06/2006 e 10/06/2006)
Viajamos para Patras de trem. Um trem de Atenas até Korinto.
Em korinto, outro trem até Patras. Destacamos nesta viagem, imagens
inesquecíveis. O trem trafega literalmente à beira mar. A linha é construída
nas escarpas rochosas e da janela do trem, a visão do Mar da Grécia, é
simplesmente inesquecível. A chegada em Patras, do trem, dá para ver de longe a
belíssima ponte sobre o rio Antirio desembocando preguiçosamente no mar. A
estação de trem fica próxima ao porto. Com nossos passes, fizemos nossas
reservas para o mesmo dia, em um navio que partiria para Ancona no meio da
tarde. Compramos alguns presentes e num comércio próximo, algumas frutas, pães,
torradas, água e refrigerantes para comer no navio. Os preços no navio são
bastantes salgados. Neste meio tempo, nossas mochilas já tinham dobrado de
peso.
E assim, mais uma noite de travessia, mais uma noite em um
navio cruzando o mar Adriático. Confesso que me senti tentado de reservar uma
cabine para dois. Um luxo que não tínhamos há muito tempo. Mas Mara lembrou-me
dos nossos objetivos e votos naquela peregrinação. Sentir na pele a
discriminação e exclusão. Viajar em companhia dos mais simples. Foi o
suficiente para colocar meus pés no chão. Bem, pés no chão é modo de falar,
pois colocamos todo o corpo no chão. Dormimos mais uma vez no assoalho, com
nosso isolante e saco de dormir. Um luxo, para nós mochileiros.
Foligno
(10/06/2006 a 12/06/2006) (Assis, Spoleto e Cáscia)
Desembarcamos em Ancona, andamos a pé os
Albergue Pierantoni - Via Pierantoni 23
– Foligno - foligno@ostellionline.org
Foligno é uma cidade muito agradável e interessante. A
predominância é de jovens estudantes. Uma cidade rica em artes (música, dança,
teatro), e noites movimentadas. Neste ambiente, não faltam os abutres
aproveitadores para assaltos, roubos etc. Aconteceu conosco, andando pelas ruas
movimentadas, percebi alguém nos seguindo. Mesmo com as ruas movimentadas, o
homem estava sempre próximo a nós.
O albergue de Foligno, muito bom. Finalmente conseguimos
nos hospedar em um quarto apenas para nós dois. Nem paramos no albergue.
Deixamos nossas mochilas e voltamos à estação. Antes, procuramos informações
para ir a Cáscia no dia seguinte. Soubemos que não tinham conduções de Foligno
para Cáscia. Teríamos que ir para Spoleto
e de lá, tomar um ônibus até Cáscia. Como já estava no meio da tarde, pegamos
um trem para Assis. Passamos o restante do dia naquela bela cidade. Fomos à
Basílica de Santa Clara e depois à Basílica de São Francisco de Assis. No
início da noite, retornamos a Foligno.
No dia seguinte, bem cedo pegamos um trem para Spoleto. Em
Spoleto, compramos passagens para Cáscia. Num ônibus confortável, subimos a
serra que leva à Cáscia. Uma paisagem estonteante. Em Cáscia, conhecemos a
Basílica de Santa Rita de Cássia. Visitamos o seu corpo, milagrosamente
conservado até os dias de hoje. Até a ferida que tinha na testa (estigma do
sofrimento de Jesus) agora transformada como uma jóia na testa (para conhecer a história de Santa Rita, clique aqui).
Andamos pela cidade e retornamos a Spoleto no início da tarde. De trem,
voltamos à Assis. Queríamos visitar a Igrejinha de São Damião, onde tudo
começou. Clique aqui para conhecer a história de São Francisco.
Lá andamos pelos mesmos lugares que Santa Clara e São
Francisco andaram. Os quartos, as mesas, os pratos e talheres, o coral, camas
tudo permanece intacto desde aquela época. O local onde o “Trovador de Deus”
compôs o hino das criaturas. E aquela visão privilegiada da região da úmbria,
do alto daquela colina. O verde da úmbria, com suas plantações de trigo, onde o
Jovem Francisco começou sua evangelização.
Roma
(12/06/2006)
De Foligno a Roma em trem regional. Passando pelos seguintes povoados: Foligno, Trevi, Spoleto, Giuncano, Terni, Narni-Armelia, Nera Montoro, Orte, Roma. Na estação de Roma, ainda não
tínhamos decidido de pernoitaríamos naquela cidade ou não. Decidimos deixar
nossas mochilas na Guarda-malas. Após enfrentar uma hora de fila, conseguimos
finalmente deixar as mochilas. Entramos na rede de metrô e fomos para a
Basílica de São Pedro. Mara não sairia de Roma sem ver o túmulo de João Paulo
II. Na Basílica, mais filas para entrar. Rezamos na Basílica e depois outra
fila para visitar o túmulo. O guarda fazia revista em todos, não permitindo
nenhum tipo de material metálico. Eu tinha um pequeno canivete na pochete.
Entre algumas colunas, deixei o canivete e fomos para a fila. Em frente ao
túmulo, muitas pessoas rezando. Permitido apenas 1 minuto por pessoa em frente
ao túmulo. Quando saímos, a Mara resolveu entrar na fila novamente para passar
em frente ao túmulo. Mais uma vez, mais orações e logo estávamos novamente na
imensa praça da Basílica. Quando fui procurar o canivete escondido, algumas jovens
estavam sentadas nas colunas. Pedimos licença, enfiei a mão entre as colunas e
de lá tirei o canivete. As jovens ficaram nos olhando, sem nada entender.
Agradecemos, e fomos embora.
Turim
(13/06/2006)
Retornamos à estação para decidir o que faríamos a seguir.
Entrei na fila para obter informações sobre o passe de trem. Queríamos ir para
Turim. As informações que obtive era que deveria pagar no mínimo 30,00 euros
por pessoa para viajar para Turim (mesmo
Na hora marcada o trem chegou para o embarque. Um trem
totalmente escuro. Fomos para os vagões de segunda classe e procuramos lugar
para viajar. Não entendemos como, mas os vagões já estavam todos ocupados. Os
vagões eram compostos de camarotes com seis poltronas. Dispostas uma de frente
para outra, as poltronas em grupo de três. O problema é que cada camarote que
tentávamos abrir as pessoas não nos deixavam entrar. Às vezes duas pessoas em
um camarote, queriam se espalhar sobre as poltronas e dormir durante a viagem.
Tratavam com brutalidade quem tentasse entrar no camarote.
O trem já estava se movimentando e nós ainda não havíamos
conseguido um lugar. Até que achei um camarote vazio. Gritei para Mara e
entramos. Na mesma hora um americano também entrou no camarote (já tinha sido
expulso de outros camarotes). Ficamos os três naquele camarote. E o trem
aumentando a velocidade. Então percebi porque aquele camarote estava vazio. O
vento gelado entrava pela janela do trem em velocidade, congelando o ambiente.
Quando tentamos fechar a janela, notamos que estava emperrada. Por isso, o
camarote estava abandonado.
Quando alguém abriu a porta do camarote e perguntou se
podia ficar ali. Era um senhor italiano. Concordamos que entrasse e pedimos
ajuda para a janela. Ele tentou, mas não conseguiu. Chamou-me e juntos, com
bastante força, conseguimos fechar a janela. Depois, o senhor, puxou as duas
poltronas em frente, que se juntaram formando uma confortável cama. Eu e Mara
fizemos o mesmo e o camarote se transformou
Chegamos a Turim, fomos a Igreja do Santo Sudário.
Participamos de uma missa fúnebre (corpo presente). Interessante é que as
pessoas nos olhavam muito durante a missa. Ao final da missa, umas senhoras
vieram falar conosco que o corpo era de uma alpinista. Informamos que também
éramos escaladores. A senhora nos deu uma oração de alpinistas.
Resolvemos não dormir
Paris
(14/06/2006)
E o trem chegou. Uma viagem com paisagens deslumbrantes. Passamos pelas seguintes localidades: Torino Porta Susa, Oulx-Cesana-Claviere, Bardonecchia, Modane, Chambery-Challes-E, Lyon-St Exupery(TGV), Paris Lyon. Após Lyon, em trilhos especiais, o
trem alcança a incrível velocidade de
Vagando pelas ruas, cada hotel que encontrávamos, batíamos
na porta. Muitas vezes, sem abrir a porta, simplesmente nos mostravam placas de
“full” (completo). Alguns, quando nos viam de longe, já fechavam as portas e
colocavam placas. Já eram 2 horas da madrugada, quando pensamos em retornar
para a estação e dormir em algum banco. No último hotel que batemos, depois de
falar que não tinha vaga, quando demos as costas, nos chamaram e nos cederam um
quarto. Pagamos 78,00 euros para ficar da 2:00 às 08:00, sem café da manhã.
Pelo menos tomamos banho, lavamos roupas na pia do banheiro e colocamos para secar
sobre os abajures.
Nosso roteiro era permanecer em Paris três noites. No dia
seguinte, o hoteleiro disse que teríamos que deixar o hotel até as 08:00.
Mochilas nas costas pegamos o metrô e fomos procurar a “Rue du Bac” onde se
localizava a capela da medalha milagrosa.
Chegando lá, participamos da Missa e visitamos o corpo de
Santa Catarina do Labourre (também, em perfeito estado de conservação).
Tentamos obter informações sobre albergues ou locais para pernoite. Nada
conseguimos, de forma que retornamos para a Estação “Gare de Lyon”. Buscamos
informações e soubemos que um trem regional para Nevers partiria às 14:10.
Logo estávamos no trem, em mais uma bonita viagem cortando
os campos da França. Atravessamos as seguintes
localidades: Paris Lyon, Montargis, Gien, Briare, Cosne, La
Charite, Nevers.
Nevers (14/06/2006
e 15/06/2006)
Em Nevers, fomos a pé, procurar o convento de Saint
Gildard. Neste convento, existe uma capela onde repousa o corpo de Santa
Bernardete. Embora tenha passado enterrado muito tempo, o corpo em perfeito
estado, parece de uma pessoa dormindo. Impressionante, fantástico. Não tínhamos
achado ainda locais para pernoitar naquela cidade. Conversei com a Irmã Tereza
(que nos recebeu muito bem) sobre a possibilidade de abrigo no convento. Ela
entrou para conversar com alguém e logo retornou com um largo sorriso dizendo
que poderíamos dormir em um quarto ao lado da capela (abrigo para peregrinos de
compostela). Foi para nós uma benção, poder dormir naquele local. O convento
emana paz e tranqüilidade. Dentro dos muros, um grande e florido jardim. No
meio, a capela de São José, onde ficou por muito tempo, sepultado o corpo de
Santa Bernardete. Naquela capela, a Santa rezava todos os dias, o Terço à Nossa
Senhora.
Repassamos pelos passos de Santa Bernardete, rezando o
terço, caminhando por aqueles jardins. Deitando na grama, sentando nos bancos,
ouvindo o canto dos pássaros. Foram momentos maravilhosos. Clique aqui para conhecer a história de Santa
Bernardete.
Lourdes
(15/06/2006 a 17/06/2006)
No dia seguinte, as Irmãs ligaram para Lourdes (nossa
próxima parada) e fizeram uma reserva em um albergue
Logo estávamos no albergue das irmãs de caridade.
Pernoitamos duas noites
Nas Missas e na gruta, centenas de paralíticos em cadeiras
de roda eram conduzido por jovens voluntários. A água que sai da gruta, foi
canalizada e distribuída em várias torneiras ao lado da gruta, permitindo que
as pessoas recolham qualquer quantidade para levar. Entramos na gruta, tocamos
naquelas paredes já lisas em função de tantas mãos que por ali passaram. E
quantos milagres ali se realizaram.
Ao lado da Basílica, tem um posto médico que mantém uma
junta médica durante todo o período em que a Basílica fica aberta. Finalidade,
avaliar os casos de curas ocorridos para evitar movimentações fraudulentas.
Isso dá uma idéia da quantidade de milagres que ali ocorrem. Eu e Mara
passávamos em frente à gruta, quando um jovem (uns trinta anos), em uma cadeira
de rodas, levantou-se e começou a andar cambaleante. Suam mãe, uma senhora com
as faces bastante vermelhas, ria, chorava e batia palmas para aquela cena. O
rapaz saiu da cadeira, andou alguns passos e sentou-se em um banco próximo. Eu
e Mara, não demos tanta atenção a aquele evento e sorrindo, fomos embora. Mais
tarde, em conversa, nos conscientizamos que possivelmente, vimos um milagre
acontecendo.
Madrid
(18/06/2006 a 22/06/2006) (Toledo)
Depois de três dias e duas noites, pegamos um trem para Irun
(fronteira França e Espanha). Atravessamos as
seguintes localidades: Lourdes, Coarraze-Nay, Pau, Orthez, Puyoo, Peyrehorade, Bayonne, Biarritz, Guethary, St-Jean-de-Luz-Ciboure,
Hendaye, Irun.Lá pegamos um trem noturno para Madrid. Ainda permanecemos em
Madrid, quatro dias. Andamos muito pela capital da Espanha, visitamos muitos
locais. Retornamos ao Brasil no dia 22/06.
Informações sobre passes de trem