Santiago de Compostela (Caminho francês)

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Introdução – Rotina do peregrino (nosso dia a dia)

O dia do peregrino começa cedo. Após a higiene inicia-se a montagem da mochila, às vezes no escuro, de forma que é preciso ter lanterna para montar a mochila de forma que fique confortável no corpo. Lembre-se que ela ficará nas costas durante um longo dia. No meu caso, sempre tirava tudo e recolocava cada coisa no seu devido lugar.

É preciso estar atento para colocar o que é mais pesado por baixo, o que é mais macio acomodado perto das costas, aquilo que tem muito uso por cima (para facilitar a retirada), primeiros socorros e material para chuva em locais de fácil acesso e outras preocupações que não vamos abordar aqui. Existem dicas para uma boa montagem e bom uso de mochila que não é o foco deste relato.

 

Com a mochila montada, procurar fazer a primeira alimentação (café da manhã), claro, quando possível. Depois procurar encher o cantil de água (dependendo do trecho, levar água extra).

Quando decidimos por fazer o caminho, um ponto forte colocado foi a oração. Durante todo o caminho, abríamos o dia com a oração da liturgia diária, depois tomávamos o café (quando possível). Antes de iniciar a caminhada, fazíamos nossos alongamentos. Terminando o alongamento, colocávamos as mochilas, ajustando ao corpo (pois de tempos em tempos era necessário apertar a barrigueira em função da perda de peso).

 

Assim que iniciávamos a caminhada do dia fazíamos a oração ao Espírito Santo e o Benedictus. Já caminhando, fazíamos o primeiro terço do dia com nossos pedidos. Terminado o primeiro terço, cantávamos a oração de Daniel “obras do Senhor” em louvor pela criação.

A partir daí a cada hora fazíamos uma reza do terço (assim, tínhamos o terço das 7, 8, 9, etc..). No caminho não temos almoço, apenas lanches, evitando a moleza no corpo após o almoço e nestas paradas aproveitamos para fazer alongamento dos músculos para evitar distensões. De forma que é aconselhável de três em três horas, fazer um pequeno lanche (frutas, sanduíches, etc.).

 

Ao meio dia, antes de fazermos o lanche mais forte, rezávamos a “hora média”. Também ao longo do dia, cantávamos músicas do nosso coral (Mara como contralto e Eu como baixo). Os peregrinos gostavam muito quando passávamos por eles cantando. E quando divisávamos ao longe o povoado onde planejamos ficar, iniciávamos outro terço, agradecendo pelo bom andamento do dia e pedindo para sermos bem acolhidos e conseguir vaga para pernoite.

Ao chegar, sempre nos preocupávamos com o alongamento muscular e assim que acomodados no albergue, a primeira preocupação era tirar da mochila o estritamente necessário para o banho (normalmente a concorrência é grande e são poucos os chuveiros) e tomar um bom banho. Já saímos do banho em direção aos tanques para lavar as roupas com as quais andamos durante o dia. Também muita concorrência para lavagem de roupa. Quanto mais cedo lavar a roupa mais tempo e mais sol para secá-la e também mais fácil conseguir lugar para estender a roupa.

 

Pronto, isto feito vinha a rotina de passear para conhecer o lugar, comprar alimentos para o jantar e para café de manhã e lanches do dia seguinte. Neste momento nós sempre procurávamos a Igreja do povoado para se informar sobre horários de Missa ou celebrações. Assim, procurávamos conhecer o povoado e na hora da Missa, lá estávamos para participar.

Após a Missa, íamos para a cozinha do albergue para preparar o jantar. Muitas vezes, juntávamos as panelas com outros peregrinos e jantávamos juntos. Em alguns locais, quando não era possível cozinhar, procurávamos algum café ou restaurante para comer Tortilhas, ou bocadilhos ou mesmo um menu do peregrino que serviam em alguns lugares.

 

À noite antes de dormir, rezávamos as “completas” e depois caíamos no sono. Quando o sono não vinha, ou havia muitos roncos e barulho dos outros peregrinos rezava o terço individualmente até o sono chegar.

 

Conforme dissemos acima, nosso objetivo principal na peregrinação: A oração e a penitência. Isto nos permite estar em constante processo de conversão. Nos caminhos, procuramos viver segundo os “costumes cristãos”. Queremos divulgar o “modo cristão de viver”, para com isso, provocar mudanças nos outros. È nossa forma de divulgar o Evangelho.

Mas, com a peregrinação no caminho francês, vivemos uma experiência diferente: A tentação.

 

Durante um período da peregrinação, fomos tentados a enfraquecer o nosso compromisso. Chegamos mesmo a embarcar em outros caminhos, quase saindo do nosso objetivo. Nós, que nos considerávamos, instrumento de Deus, Tivemos que nos recolher à nossa insignificância, olhar para dentro e cuidar da nossa conversão. Nós que queríamos colocar pessoas nos caminhos de Deus, quase saímos dele. Mas, a mão de Deus está sempre à disposição. A humildade é que nos faz enxergá-la. Basta estender a mão que Deus nos carrega para solo firme.

 

Assim, dividimos nossa peregrinação em períodos. Períodos claramente delimitados, durante o nosso combate com a tentação. Combate do casal novo contra o casal antigo. Do homem novo contra o homem antigo. Combate dos nossos atuais propósitos contra antigas tendências e fraquezas. Assim, a peregrinação até Santiago, fica dividida, conforme tabela abaixo.

 

 

Período

Fase

24/04/2006 a 25/04/2006

Preparação e viagem até Madrid.

26/04/2006 a 04/05/2006

Perdendo o objetivo. Fugindo da proposta inicial.

05/05/2006

Tomada de consciência.

06/05/2006 a 15/05/2006

Corrigindo a rota. Processo de acertos e erros.

16/05/2006

Uma benção, um presente.

17/05/2006 a 23/05/2006

Em processo de purificação.

24/05/2006 a 27/05/2006

Vitória do Homem novo.

28/05/2006

Transformados e prontos para a segunda fase da viagem. No dia seguinte: Uma nova peregrinação.

 

 

Custos e números do caminho

 

O que levamos para o caminho?

 

Fotos do Caminho

 

Página Família Bernardo